Sustentabilidade

27/03/2017

Projeto vencedor do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade se estende em ação de logística reversa de TVs

Campanha pautada na transição do sinal analógico para o digital deve arrecadar 10 mil televisores e movimentar R$ 52 mil no mercado da reciclagem

Projeto vencedor do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade se estende em ação de logística reversa de TVs

Televisores devem ser recebidos durante as ações na Capital Paulista e em outras 24 cidades da região metropolitana
(Arte TUTU)

Por Deisy de Assis

O projeto Eco-Eletro se desdobrou em nova ação. Depois de levar a coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Tereza Cristina Carvalho, a vencer o 3º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade (2013, na categoria academia-professor), o programa teve as cooperativas que capacitou indicadas para integrar uma campanha com foco na logística reversa e reciclagem de aparelhos de TV.

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A iniciativa, que vai até o dia 8 de abril, é organizada pela Associação Brasileira de Reciclagem e Inovação (Abrin) e pela Seja Digital, responsável por operacionalizar a migração do sinal analógico da televisão no Brasil para o digital. A transição tecnológica, que acontecerá no próximo dia 29 (quarta-feira) em 39 municípios do Estado de São Paulo, foi justamente o que pautou as entidades a desenvolver a ação.

Todas as cooperativas (15) parceiras na campanha foram beneficiadas pelo projeto Eco-Eletro, que capacitou mais de 180 pessoas para o manuseio correto dos equipamentos eletrônicos com destino à reciclagem. De acordo com Tereza, as orientações passadas aos trabalhadores resultaram em uma valorização do resíduo eletrônico, pois houve ganho de qualidade com o manejo correto. Para se ter uma ideia, o valor médio de venda do quilo dos materiais passou de R$ 0,30 para R$ 3.

Por esses fatores, houve a indicação das cooperativas do Lassu à Abrin. “Além disso, acompanhamos o processo inicial dos trabalhos, apoiando e motivando os envolvidos para a segurança em todas as fases”, comenta a coordenadora do Lassu.

Na opinião da assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Cristiane Cortez, a ação tem grande importância social e ambiental. “Trata-se de um tipo de logística reversa focada em uma metodologia responsável. É muito bom saber que um projeto reconhecido pelo Prêmio de Sustentabilidade teve essa continuidade.”

Coleta pode chegar a 10 mil unidades

Segundo estimativa da Abrin, cerca de 10 mil televisores devem ser recebidos durante as ações na Capital Paulista e em outras 24 cidades da região metropolitana e proximidades (no raio de até 100 quilômetros). Também é esperada a entrega de uma pequena quantidade de antenas de sinal analógico.

De acordo com o diretor da Abrin, Ronaldo Stabile, a previsão desse grande volume foi calculada com base na experiência de uma iniciativa semelhante, promovida pela ONG Programando o Futuro e pela Seja Digital, em Brasília. No Distrito Federal, onde a população é menor (2,9 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foram recolhidas 2.100 TVs no período em que houve a troca do sinal, no ano passado. “Nas 25 cidades de São Paulo, a estimativa chega a 10 mil aparelhos, pois o número de atingidos será maior, em torno de 18 milhões de habitantes.”

Como funciona

Além das 15 cooperativas, a campanha envolve 25 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), uma em cada município atingido, e dois Centros de Remanufatura de Computadores (CRCs).

Nos finais de semana, as unidades educacionais estão mobilizando as comunidades locais, a partir da organização de professores e alunos das áreas de eletrônica, logística, meio ambiente e eventos, que farão o trabalho de divulgação e educação ambiental. Os moradores de cada região poderão descartar TVs e antenas, em funcionamento ou não, nas Etecs.

De lá, os aparelhos vão para as cooperativas parceiras e para os CRCs. A partir daí começa a fase de reciclagem, com a venda dos aparelhos para a Ecoview, empresa certificada para processar e desmanufaturar os televisores. Ou seja, será feita a desmontagem e a separação de materiais – como ferro, alumínio, plástico, cobre (fiação), entre outros - para a comercialização como matéria-prima para a fabricação de novos produtos.

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Meio ambiente e saúde

A coordenadora do Lassu comenta que tão importante quanto promover a logística reversa e a reciclagem é a garantia de que não haverá contaminação por substâncias tóxicas durante o manejo, transporte e desmontagem. Isso porque os aparelhos de TV possuem metais pesados – como chumbo, mercúrio e pó fosfórico – que contaminam o solo e os lençóis d’água e, em contato com os humanos, podem causar sérias complicações de saúde, como alterações neurofisiológicas.

“Uma única TV pode conter de cinco a seis quilos de chumbo”, frisa Tereza. Ela conta que antes da capacitação promovida junto às cooperativas, muitos catadores quebravam os aparelhos para retirar o cobre e vender, o que acabava deixando essa grande quantidade de chumbo exposta às chuvas, ocasionando a chegada desse metal pesado ao solo. “A conscientização é fundamental. O brasileiro é um povo muito colaborativo, desde que receba a informação e seja sensibilizado."

Movimentação econômica

Stabile explica que o foco da campanha é, principalmente, educacional, a fim de conscientizar a população sobre riscos do descarte indiscriminado. Mas, do ponto de vista econômico, com a geração de emprego e lucro, também há uma amostra da sustentabilidade da iniciativa.

“A estimativa é de que sejam movimentados R$ 5,20 por aparelho de TV recebido, entre custo e receita”, diz o diretor da Abrin, que comenta que parte dos processos está sendo financiada pela Seja Digital.

Assim, uma vez que são esperados 10 mil televisores, a movimentação financeira pode chegar a R$ 52 mil.

Kit conversor

“Outro foco da campanha é o de informar sobre o kit conversor, que permite que as TVs antigas continuem em uso. Caso os aparelhos estejam em condições para isso, a escolha também representa uma decisão sustentável”, destaca a gerente regional da Seja Digital em São Paulo, Cecília Zanotti.

A Seja Digital distribuirá 1,8 milhão de kits - com antena UHF, conversor, cabos e controle remoto - para as famílias cadastradas nos mais de 20 programas sociais do Governo Federal, entre os quais estão Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Pronatec. Segundo a empresa, mais de um milhão de beneficiários já agendaram a retirada dos kits e aproximadamente 800 mil kits já foram entregues. As famílias devem acessar o site ou ligar gratuitamente para o número 147 para verificar se podem ser beneficiadas pela distribuição.

Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade 

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançou a sexta edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, com inscrições abertas até 20 de novembro de 2017.

A nova edição tem como tema os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma agenda mundial adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), com 169 metas a serem atingidas pela humanidade até o ano de 2030. Essas medidas envolvem ações nas áreas de consumo e produção sustentáveis, erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, entre outras.

Serão reconhecidos projetos com foco nos princípios da sustentabilidade. As categorias contempladas são: empresa; indústria; órgão público; academia; reportagem jornalística; e entidades empresariais.

Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2018. Os vencedores receberão títulos de capitalização ou previdência, no valor de R$ 15 mil, e troféu. Os trabalhos classificados em segundo e terceiro lugares também serão reconhecidos. Clique aqui (inserir link para o site do prêmio) e saiba mais.

Veja também:

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Federação lança o 6º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade
http://www.fecomercio.com.br/noticia/federacao-lanca-o-6o-premio-fecomercio-de-sustentabilidade